POLPA MOLDADA

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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Moda ecológica e sustentável ganha espaço na Europa


Greenshowroom, maior feira europeia dedicada a moda sustentável, foi um dos destaques durante a Berlin Fashion Week


Greenshowroom arrasta uma legião de fãs da moda sustentável (Foto: Thomas Lohnes- Getty Images/Divulgação)



Durante quatro dias, a Mercedes-Benz Fashion Week Berlin mobilizou a capital alemã com desfiles, feiras e eventos dedicados a todos os tipos de segmentos, que vão desde moda esportiva até luxo. No meio de tantas novas tendências e informações, ressaltou aos olhos a nova direção que muitas marcas alemãs vem tomando, levantando a bandeira da moda sustentável e ecologicamente correta como em nenhum outro país.


Por moda sustentável, não pense que estamos falando de roupas beges, feitas em linho e sem estilo algum. São roupas que seguem tendências e que, ao mesmo tempo, respeitam vários critérios. Entre eles, estão o comércio justo, uso de tecidos orgânicos e que não poluem o meio ambiente na fabricação, o abandono de couro e produtos tóxicos, ou ainda roupas que são feitas a partir de materiais reciclados - sem parecer trabalho de escola.


Este nicho tem virado um business promissor. Grandes marcas alemãs, como Adidas e Hugo Boss, começaram a trabalhar no processo de transição para uma moda mais ética e verde. A segunda declarou que não vai mais usar peles de animais a partir do próximo ano, enquanto a esportiva prepara para lançar um tênis feito a partir de plástico retirado dos oceanos. Mas quem chama atenção mesmo são algumas marcas menores e jovens estilistas, que cada vez mais tem iniciado seus negócios com esta premissa e seguindo à risca orientações de etiqueta de certificação, como a Gots (Global Organic Textile standard) e IVN (Internationalen Verbande der Naturtextilwirtschaft), selos que comprovam a origem nobre das peças.


Muitas dessas marcas , mostram suas coleções pela primeira vez em formato de desfile dentro das feiras irmãs eco-fashion chamadas Greenshowroom (dedicada à alta moda), que completa seis anos, e Ethical Fashion (dedicada a streetwear), que acontecem em paralelo à Berlin Fashion Week, em uma antiga estação de trem. Juntos, esses eventos têm, hoje, 160 marcas participantes no total, constituindo o maior evento deste setor em toda a Europa.
Olaf Schimdt, o organizador das feiras (Foto: Hermano Silva)
OLAF SCHIMDT, O ORGANIZADOR DAS FEIRAS

(FOTO: HERMANO SILVA)

"Há muito tempo existe o interesse e demanda por uma moda sustentável na Alemanha, mas houve uma grande mudança de pensamento por parte dos consumidores depois do desabamento da fábrica Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013 e que matou 1127 pessoas. O acidente ficou muito presente na mídia local e teve um impacto no consciente coletivo. As pessoas já vinham consumindo comida orgânica e cultivando seus próprios alimentos, mas esse momento fez elas pararem para pensar no que elas vestiam", explica Olaf Schmidt, organizador das feiras.


Schmidt, que também é vice-presidente de tecnologia têxtil da Messe Frankfurt, afirma que o diferencial é que os consumidores estão prontos para um produto sustentável, com mais informações de moda. "Isso é realidade nos países da Escandinávia, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Suíça, Áustria, Reino Unido como um todo, mas não tanto em países do sul da Europa", ressalta ele, sem querer destacar a Alemanha como possível líder deste movimento.

Moda masculina: os pioneiros
Embora a moda ecomasculina ainda esteja presente em menor proporção, há bons exemplos de iniciativas de marcas que só surpreendem. A Armedangels ( "Anjos Armados", em tradução livre) tem como slogan "não vista nada além de bio". A marca foi uma das pioneiras, fundada em 2007, na cidade de Colônia. No início, tinham apenas cinco modelos de camisetas, mas hoje já são mais de 200 modelos de roupas casuais e de streetwear para homens e mulheres, com coleções que mudam a cada estação. O crescimento, eles confirmam, veio de uma demanda natural dos consumidores.
As camisetas "ecofriendly" da Aluc (Foto: Divulgação)

Aluc, fundada em 2010, em Berlim, tem como diferencial o upcycling - a reutilização de tecidos de estoques industriais que seria descartados. A ideia da marca deu origem ainda a uma loja no centro de Berlim, chamada de Upcycling Store, que reúne várias outras marcas de moda sustentável. Mais recentemente, eles decidiram desenvolver a camiseta Invincible T-Shirt em parceria com a fábrica Oporajeo, em Bangladesh, que ajuda as famílias das vítimas e sobreviventes do desastre de Rana Plaza.

Camisas da Carpasus não utilizam plástico ou químicos (Foto: Divulgação)

Já a empresa suíça Carpasus tem só quatro meses, entra no mercado focando na alfaiataria clássica e de alta qualidade, até então inexplorada. Eles apostam em camisas sociais masculinas cujo algodão, botões e até a palheta do colarinho são ecologicamente corretas, livres de químicos ou plástico. O cliente pode usar o código de identificação individual que vem em cada peça para fazer uma busca no site da marca e descobrir a procedência de cada componente, onde e qual alfaiate a costurou. Os fundadores acreditam que é essa transparência que os consumidores vão esperar das grifes de moda e de outros setores no futuro.


O Brasil, de certa forma, também está representado nessa corrente da "moda verde" pela Marie Raz. A marca foi criada pela brasileira radicada em Munique, Mariana Razuk. Suas peças são produzidas pela oficina de costura Weisser Rabe, um projeto social de integração para desfavorecidos que treina seus trabalhadores e fornece condições justas de trabalho.

"Hoje, todas essas marcas ainda são vistas como parte de um nicho, mas a esperança é que, em breve, elas serão integradas no mercado normal, assim como grandes marcas vão se adaptar cada vez mais e seguir o exemplo do que estamos apresentando aqui", completa Schmidt.


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