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Partindo do princípio de que qualquer pessoa pode inventar algo, o professor Niel Gershenfeld, doMIT, criou o Fab Lab, uma oficina repleta de equipamentos tecnológicos e aberta ao público cuja função é concretizar e trocar ideias. A ideia ganhou o mundo e hoje  já são mais de 490 no mundo, o Brasil possui aproximadamente dez.
Os Fab Labs unem dois conceitos essenciais e muito valorizados nos dias de hoje: colaboração e sustentabilidade. A ideia de colaboração está presente em diversas pontos da filosofia desses laboratórios, já que a filosofia é a de que a inovação só nasce com pessoas criativas em um ambiente descontraído e livre onde tudo tem que ser inventado pois nada está pronto. Para manter a liberdade, a maioria deles não têm fins lucrativos e quase sempre fazem parte de universidades e  são subsidiados por elas ou por alguma política do governo. E mesmo nos casos dos independentes, que precisam de renda financeira para se sustentar,  o modelo de negócios é baseado principalmente em parcerias e patrocínios de empresas. Assim, se uma empresa necessitar fazer o protótipo de alguma máquina, pode entrar em contato para que ela seja feita pela comunidade e vendida.
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Todo Fab Lab deve prezar pelo conhecimento aberto, ou seja, tudo que é criado fica disponível para a comunidade na internet. O espaço também tem que estar parte do tempo aberto ao público, para quem quiser conhecer suas possibilidades.
Além de colaborativos os laboratórios criativos de fabricação também estimulam um fazer sustentável,  indo contra a lógica da fabricação tradicional, que é baseada na produção em série, ou seja, tem um custo inicial muito grande e, para justificar o custo, tem que produzir milhares ou milhões de objetos iguais mesmo sem ter certeza de que todos os itens serão vendidos. A fabricação digital traz a possibilidade de personalização extrema: assim é possível criar objetos personalizados de acordo com a demanda. Assim, o risco de descarte é menor tanto pelo fabricante quanto pelo consumidor que, tendo suas necessidades atendidas de forma personalizada, tende a usar o produto por mais tempo e não querer descartá-lo a cada seis meses ou um ano.
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Na área de moda estão sendo criados os Fashion Labs, sob o mesmo princípio e visando desenvolver inovações em moda, varejo e tecnologia, criando um crescimento em inovação tecnológica, prosperidade econômica, sustentabilidade e criação de novos empregos e até mesmo novos cargos.
De acordo com  recentes relatórios de tendências, um dos grandes nichos emergentes de mercado é o das tecnologias vestíveis (wearable tech). Analistas preveem que a indústria de tecnologias vestíveis movimentará US$ 10 bilhões em 2016.  O setor da moda tem mantido seus processos de produção sem grandes mudanças nas últimas décadas e as tecnologias vestíveis prometem  campo vai dar origem a novas oportunidades de negócios e de inovação.
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Num Fashion Lab pode-se explorar o futuro dos têxteis, sem deixar de lado as ricas tradições do artesanato e misturando-as com as novas tecnologias. É possível criar dispositivos eletrônicos impressos sobre têxteis que tenham inúmeras utilidades tanto estéticas como médicas. Existe também a possibilidade de experimentar com uma vasta gama de fibras, fios e tecidos, incluindo os materiais tradicionais, como lã e algodão, bem como fibras de metal e fios, plásticos, papéis, fusíveis e resinas, além de explorar técnicas como feltragem, corte a laser, tricô, impressão digital, bordado e impressão digital.
Com todas as revoluções, é provável que daqui há alguns (poucos) anos um estudantes de moda, além de aprender sobre costura, modelagem e tecidos, tenha que sacar também de tecnologia e até de biologia. E aí, tá preparado?