POLPA MOLDADA

POLPA MOLDADA
Polpa Moldada

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Embalagem Sustentável

A embalagem sustentável surgiu como uma alternativa às sacolas e filmes plásticos convencionais, além do isopor, que geram impactos negativos ao meio ambiente.


embalagem sustentável é um produto inovador que já fez a cabeça de muitas pessoas, especialmente porque ela reduz o impacto sobre o meio ambiente. Uma das grandes vantagens desses modelos de embalagens sustentáveis, ou embalagens “verdes”, é que elas são feitas de plástico reciclado, portanto, são também mais econômicas para produzir e não geram maiores custos com o despejo de mais resíduos em aterros. Há também muitas sacolas de tecidos, que são aquelas normalmente encontradas em supermercados, e filmes biodegradáveis produzidos em escala industrial.
Ao considerar a sustentabilidade das embalagens, múltiplos fatores devem ser levados em conta, incluindo os custos reais de produção, de energia e de transporte, além das fontes de matérias-primas utilizadas e o grau de toxicidade a que os operários são expostos durante a fabricação desses produtos. Há que se considerar igualmente as emissões de carbono na produção dos plásticos e sua decomposição e nível de biodegradabilidade do produto acabado.
Poliéster biodegradável sintético
Embalagem verdeOs materiais de poliéster biodegradável sintéticos precisam de apenas algumas semanas para se decompor, em contraste com algumas embalagens plásticas convencionais que pode demorar séculos para se degradarem. Os poliésteres biodegradáveis sintéticos são utilizados em embalagens descartáveis para fast foods, carnes e produtos congelados, sendo empregados na produção de bandejas e embalagens em geral. Os dois tipos principais de fibras sintéticas de poliésteres biodegradáveis feitos em embalagens são poliésteres amorfos, que são claros e flexíveis, e semicristalinos poliésteres, que são mais duros e opacos.
Anualmente, são produzidos por volta 150 milhões de toneladas de plástico em todo o mundo. Mas com o aproveitamento do amido de mandioca para a fabricação de sacos e embalagens plásticas sustentáveis, seria possível reduzir significativamente o impacto ambiental. Empresas como a Natura, a TetraPak, a Coca-Cola, que lançou em 2010 nova embalagem sustentável produzida com 30% do etanol da cana-de-açúcar e a Bombril, que também apresentou no ano passado uma nova linha de produtos, a Ecobril, com embalagens feitas de matérias-primas naturais e renováveis, contribuem com o meio ambiente e mostram que é possível aliar os interesses de preservação do meio ambiente, competitividade de mercado e qualidade em seus produtos.
Outra alternativa muito interessante e totalmente sustentável é a Polpa Moldada, ou Polpa de Celulose, feita unicamente da adição de jornal reciclado e água, sem nenhum componente nocivo a saúde ou à natureza, o que torna o produto além de recilcado, recilcável e biodegradável, atendendo às mais rigorosas exigências, inclusive da Diretiva Rohs, que controla a composição dos produtos exportados para grande parte da Europa.
Citamos a POLPATEC Embalagens Sustentáveis, como um dos principais fornecedores deste material. Além de produzir calços, cantoneiras, bandejas, entre outros produtos em polpa moldada, tem como diferencial um setor próprio de desenvolvimento de novos produtos, facilitando a vida de muitas empresas que atualmente querem migrar de produtos poluentes e nocivos para produtos sustentáveis e recicláveis.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Biomassa já responde por quase 10% de toda a matriz energética do Brasil

Biomassa é a matéria de origem vegetal ou animal que pode virar energia.
Entre os resíduos usados, está o bagaço de cana e os resíduos florestais.
A biomassa já responde por quase 10% da matriz energética brasileira e hoje é uma das principais linhas de pesquisa no país. Inclusive, já tem empresa produzindo a própria energia a partir da casca de arroz e de aveia.
A maioria dos brasileiros pode até não saber o que é biomassa, mas ela está pertinho da gente, todo santo dia. 
"Biomassa é toda matéria de origem vegetal ou animal que inclui resíduos, inclui plantações energéticas, inclui plantações de árvores, que podem ser também aproveitadas energeticamente e, até mesmo, resíduos sólidos urbanos, como, por exemplo, o lixo das cidades, resíduos rurais e resíduos de animais", explica Suani Coelho, coordenadora do Centro Nacional de Referência em Biomassa da USP (Universidade de São Paulo).
É difícil imaginar um país com mais biomassa que o Brasil e com tanto potencial. A biomassa responde por 9,53% da matriz energética brasileira.
Destaque para o bagaço de cana, resíduos florestais, lichivia, que é um subproduto da indústria papeleira, biogás do lixo e de resíduos agropecuários, casca de arroz, entre outras fontes. Mas, segundo os cientistas, o potencial de exploração energética da biomassa do nosso país equivaleria em uma conta conservadora a pelo menos quatro hidrelétricas de Itaipu.
Apenas a queima do bagaço de cana gera 10 mil megawatts. "Metade disso é para consumo próprio das usinas, mais ou menos metade é usada para ser exportada para a rede. Mas nós temos um potencial para dobrar essa exportação para a rede, portanto podemos ter mais de  uma Itaipu sendo produzida e sendo injetada na rede", aponta Suani Coelho.
É recente no país a exploração do gás do lixo, como já existe nos dois principais aterros de São Paulo. O Bandeirantes e o São João já foram desativados, mas continuam gerando aproximadamente 3% de toda a energia elétrica consumida na maior cidade do país. Mas se lixo urbano gera energia, o que dizer do lixo agrícola?
Uma fábrica de aveia no Rio Grande do Sul descobriu há três anos que a casca do cereal, descartada como resíduo, poderia substituir o gás natural. Desde então, 2.500 kg de casca são queimados por hora, uma economia de 30% no consumo de energia.
"Essa economia, além das mais de mil toneladas de gás efeito estufa que nós deixamos de pôr no ambiente, acaba tendo também uma economia real monetária e este é um bom exemplo em que nós produzimos de uma forma mais limpa e temos também o beneficio econômico", afirma Manuel Ribeiro, vice-presidente de operações da PepsiCo Brasil.
A matriz da multinacional festeja o feito da filial brasileira. É a primeira unidade deles no mundo que apostou na casca de aveia e se deu bem. E o que vale para a casca de aveia, vale também para a casca de arroz.
Uma fábrica na cidade gaúcha de Alegrete recebe todo o arroz produzido emum raio de 200 km.
A montanha de grãos que chega lá tem dois destinos. O miolo do arroz vira alimento. A casca se transforma em 5 megawatts de energia, o suficiente para abastecer a fábrica inteira e ainda cerca de 14 mil residências.
E do processo, patenteado pela empresa, saiu ainda um novo produto: a sílica ecológica, usada para engrossar a mistura de concreto e argamassa.  
"Hoje essa sílica é uma realidade da empresa e nós já  estamos comercializando em todos os estados da Região Sul e, inclusive, no estado de São Paulo", informa Lucas Matel, engenheiro químico da empresa.
O poder energético da biomassa é tão importante que se tornou uma das principais linhas de pesquisa da Embrapa Bioenergia, em Brasília.
Em uma parte do laboratório são guardadas amostras de biomassa que estão sendo investigadas pelos pesquisadores da Embrapa. O cavaco de madeira é um resíduo muito comum na  indústria de papel e celulose no Brasil. Tem ainda o capim elefante, que já é fonte de energia na Bahia.
Os gaúchos conhecem a casca de arroz queimada que vira energia renovável e a estrela de todas as biomassas de origem vegetal: o bagaço de cana. O objetivo das pesquisas é abrir novos caminhos no mercado para essas e outras fontes de energia vegetais.
Todas as amostras do laboratório são trituradas em máquinas especiais. Depois, esses equipamentos medem o quanto de energia cada uma é capaz de gerar. Os resultados são animadores.
"A grosso modo, falando, a gente poderia, com as tecnologias que temos hoje, talvez ter mais duas ou três ou mesmo quatro Itaipus de biomassa. Em uma época em que a energia está tão cara e tão escassa, isso faz diferença", diz José Dilce Rocha, pesquisador da Embrapa Agro energia em Brasília.
No país do pré-sal, não é preciso buscar nem muito fundo, nem muito longe, energia limpa e renovável barata e farta. Basta prestar atenção no que está por aí.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Isopor: bonitinho, mas ordinário

Material de mil utilidades, o poliestireno expandido, mais conhecido como isopor, chega às nossas casas sob diversas formas: desde bandejas que acompanham alimentos como carne, legumes e frios, até como componentes de embalagens de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos. Quimicamente, o isopor consiste de dois elementos, o carbono e o hidrogênio. Por ser um plástico celular e rígido, ele tem as vantagens de poder apresentar-se numa grande variedade de formas e de ter aplicações bastante diversas.
Muito bom, não é? Isso tudo seria ótimo se ele não fosse tão danoso ao meio ambiente e difícil de reciclar. As razões são várias.
Um dos problemas do isopor é sua composição: 98% de ar e 2% de plástico. Isso quer dizer que, quando derretido, o volume final do isopor cai para 10% do que foi coletado. Por essa razão, a maioria das cooperativas e empresas do setor de reciclagem sequer aceita doações, ao menos de pequenas quantidades do produto. E muito menos se dispõem a coletá-lo, já que, devido à sua baixa densidade, ele ocupa muito volume, o que encarece seu transporte e, conseqüentemente, a sua reciclagem, exigindo quantidades muito grandes para se viabilizar economicamente o processo como um todo.
Quando não vai para reciclagem o isopor pode provocar diversos prejuízos. Se for destinado ao lixo, pode levar, conforme estimativas, 150 anos para se decompor. Nos aterros sanitários, além de ocupar muito espaço e saturar com mais rapidez as áreas destinadas ao lixo, o que exige grandes investimentos públicos para a construção de novos aterros, a compactação causada pelos restos de isopor prejudica a decomposição de materiais biodegradáveis. E se for para lixões, estará deixando seu rastro no ambiente por um longo período de tempo.
Se jogado em rios e mares, as pelotas de isopor – produto do esfacelamento desse material – são ingeridas por cetáceos e peixes ao serem confundidas com organismos marinhos, e, muitas vezes, acabam por matá-los. 
Por fim, se for queimado, o isopor libera gás carbônico contribuindo, portanto, para a poluição do ar e para o aquecimento global.
Por todas essas razões, Patrícia Blauth, da Consultoria Menos Lixo – Projetos de Educação em Resíduos Sólidos, recomenda que se evite comprar produtos armazenados e transportados com isopor.  Segundo ela, diversos usos para o isopor  são bastante questionáveis, como “as bandejinhas de frios, frutas e legumes, por exemplo, têm função meramente decorativa”, declara. Esse uso poderia ser substituído por outro material ou simplesmente eliminado sem prejuízos ao consumidor e com um enorme benefício para o meio ambiente, argumenta a pesquisadora. Nesse caso, o consumidor pode pedir no supermercado que seus produtos sejam embalados na hora e sem a inclusão da bandejinha de isopor.
No caso de eletroeletrônicos e eletrodomésticos, geralmente embalados com isopor para evitar danos aos produtos durante o transporte, o consumidor pode dirigir um questionamento à empresa fabricante indagando se o uso do isopor não poderia ser substituído ou mesmo dispensado. Se muitos consumidores fizerem a pergunta, com certeza as empresas buscarão formas de substituir o isopor. Ao adquirir um produto de pequeno porte, retirado na própria loja onde foi comprado, o consumidor pode deixar o isopor no local. No caso de produtos maiores, entregues em casa, pode-se pedir ao entregador que leve o isopor das embalagens de volta à loja. Isto certamente vai fazer com que os lojistas pressionem os fabricantes a substituir o isopor de suas embalagens por outro material que seja mais amigável ao meio ambiente.
Muitos restaurantes e lanchonetes adotam embalagens descartáveis de isopor. O consumidor, também nesse caso, pode sugerir ao estabelecimento para que  substitua o isopor por materiais que sejam no mínimo recicláveis. Ou o consumidor pode passar a privilegiar os estabelecimentos que utilizam xícaras e copos reutilizáveis, influenciando seus amigos e familiares a fazer o mesmo, indicando aos estabelecimentos que esta é a sua preferência.
Algumas indústrias vêm apostando na substituição do isopor por uma solução biodegradável: a bioespuma. Obtida a partir de produtos naturais renováveis, derivados de plantas e sementes como cana-de-açúcar, soja, mamona e coco, também tem a vantagem de se degradar facilmente no meio ambiente. A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em parceria com a empresa Kehl Polímeros, de São Carlos no interior de São Paulo, desenvolveu uma bioespuma que se decompõe em, no máximo, dois anos, na presença de oxigênio. Sem oxigênio, o tempo de decomposição é de três anos.
O material pode substituir o isopor em diversas aplicações, como embalagens de produtos eletrônicos, bandejas de alimentos e substrato para a plantação de mudas na área agrícola.
O descarte da bioespuma, por ser composto de produtos naturais, vai gerar lixo de material orgânico e, conseqüentemente, o malfadado gás metano que é altamente poluente. Como é sabido, isto ocorre na decomposição de qualquer material orgânico. Assim, mesmo se degradando mais rapidamente que o isopor, a bioespuma também será responsável por poluir. Por esta razão, o excesso de embalagens descartáveis, mesmo que biodegradáveis, permanece sendo um grande problema. 
Outra substituição bastante usada pela indústria como alternativa ao isopor é a polpa moldada (como as de caixa de ovos) feita a partir de papel reciclado e reciclável. www.polpatec.com.br
Para a professora Mara Lúcia Dantas, do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ainda são necessários ajustes na formulação da bioespuma. Ela explica que um dos problemas é que as espumas feitas de produtos naturais podem atrair roedores e insetos aos armazéns de estoque. 
Mesmo diante dessas possibilidades de substituição, para Patrícia Blauth, da Consultoria Menos Lixo, a melhor alternativa ainda é a redução no consumo de embalagens. Ela lembra que todo consumo gera impacto e que “no caso das soluções biodegradáveis, o impacto é também sobre a agricultura aonde a prioridade deveria ser a de plantar alimentos e não a de criar mais embalagens, muitas delas desnecessárias”.                                        
Responsáveis por comercializar boa parte das 36,5 mil toneladas do material consumido no país (dado referente a 2006), as grandes redes varejistas do país têm se preocupado com a reciclagem das embalagens. O motivo é que são encontrados nas prateleiras dos supermercados inúmeros produtos com embalagens de isopor que são entregues principalmente pelas indústrias de alimentos.  Por isso, algumas redes de supermercado tem participado de projetos que não visam lucros, mas sim reduzir o impacto das embalagens de isopor no meio ambiente e incentivar o trabalho de cooperativas de reciclagem que recebem o produto de graça. 
Há três meses, o Grupo Pão de Açúcar (Parceiro Estratégico do Akatu) está testando em fase piloto um projeto, desenvolvido em parceria com a Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos. Por enquanto o programa se restringe ao isopor gerado por uma loja do Extra, no bairro do Morumbi na capital paulista. O produto coletado é todo doado para uma cooperativa. A Coopervivabem recebe o isopor e, após esse material passar por uma máquina de prensagem, a cooperativa vende à Proeco, empresa recicladora, que faz a reciclagem. O que viabiliza a reciclagem é que a quantidade disponível é muito grande o que permite uma escala viável do ponto de vista econômico. Segundo Beatriz Queiroz, gerente de sustentabilidade do grupo, “o projeto tem rendido bons resultados e deverá ser estendido para outras lojas do Extra”. Beatriz ressalta que, “além de cuidar do meio ambiente, o objetivo do projeto é gerar emprego e renda, e isso é possível ao entregarmos esse isopor sem custos para a cooperativa”.

Projetos que envolvem a reciclagem do isopor ainda podem ser considerados incipientes, principalmente, se levarmos em conta a grande quantidade de embalagens do produto que são utilizadas todos os dias. O consumidor consciente pode fazer a sua parte quando se dirigir ao supermercado. Ao procurar evitar produtos embalados com isopor, o consumidor passa uma mensagem clara que está atento às conseqüências causadas por aquilo que compra e seus efeitos posteriores.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Brasil e outros países não divulgam meta nacional para acordo do clima

Compromissos dos governos ajudarão a criar plano contra mudança do clima.
Acordo sairá da Conferência de Paris, a COP 21, em dezembro deste ano.


Delegados de 196 países aprovaram a decisão da COP 20, em Lima, em dezembro passado. Pacote acordado na conferência ajuda a formular novo acordo global contra os efeitos do clima (Foto: Eduardo Carvalho/G1)
A oito meses da conferência do clima em Paris, a maioria dos países, incluindo o Brasil, ainda não anunciou sua meta de redução de gases-estufa para depois de 2020, embora Estados Unidos e União Europeia, dois grandes poluidores, já tenham atravessado esta etapa-chave.
Na Cúpula das Nações Unidas de Lima, em dezembro passado, todos os países "dispostos a fazer" se comprometeram a apresentar até esta terça-feira (31) suas "contribuições nacionais" para alcançar o objetivo global de limitar o aumento da temperatura do planeta em 2ºC com relação à era pré-industrial.
Segundo maior emissor do mundo, os Estados Unidos esperaram até o último momento para confirmar oficialmente o compromisso assumido em novembro ao lado da China (país mais poluidor do mundo). A Rússia, quinto maior poluente, também deixou para comunicar seu novo objetivo nesta terça-feira. Washington confirmou o compromisso feito em novembro ao lado da China: reduzir de 26% a 28% as emissões entre 2005 e 2025.
A Rússia disse almejar menos 25 a 30% entre 1990 e 2030, com uma proposta pouco clara sobre a contabilização de emissões provenientes de florestas, o que pode mudar a situação sobre os reais novos esforços prometidos por Moscou.
O prazo de 31 de março visava essencialmente aos países mais poluentes e foi um passo para permitir fazer um balanço após a conferência de Lima e antes do encontro de Paris (de 30 de novembro a 11 de dezembro). Um acordo multilateral, em discussão há vários anos, é esperado na capital francesa.
Os anúncios de grandes emissores - China, Índia, Austrália, Japão, Rússia e Brasil - são agora esperados até junho
Grandes poluidores sem metas
ONGs, especialistas e alguns países esperavam há alguns meses que os anúncios feitos no fim de março permitissem avaliar o esforço global e ter visibilidade sobre a lacuna a ser preenchida.
No entanto, os principais emissores de gases de efeito estufa - China, Índia, Austrália, Japão, Rússia e Brasil - ainda não divulgaram seus planos.
"Esse atraso no calendário é problemático", avalia Celia Gautier do coletivo de ONGs Réseau Action Climat. "Quanto mais os países se atrasam, menos eles serão incentivados a comparar seus compromissos com os outros e a melhorá-los, especialmente através do apoio internacional", argumenta.
"É um problema de precaução", explica Laurence Tubiana, responsável pelas negociações da França, "seja porque os governos não tenham entrado neste exercício de previsão, seja porque são cautelosos" sobre o que os avanços tecnológicos permitirão nos próximos anos. Mas "nós teremos muitas contribuições nacionais em junho", garantiu.
Passo à frente do México
Anunciar seus objetivos climáticos significa especialmente prever a utilização das diferentes fontes de energia (fóssil, renovável, nuclear) após 2020: um processo complexo, pois deve levar em conta os custos de investimento, a necessidade para garantir o desenvolvimento econômico e a competitividade, evolução das tecnologias.
O acordo climático global deve contemplar diversas ações para conter o aumento da temperatura do planeta e, com isso, frear os efeitos da mudança climática.
No início de março, a União Europeia (12% das emissões globais) foi a primeira a enviar formalmente seu plano para a secretaria-geral da Convenção do Clima da ONU. A Noruega assumiu compromissos semelhantes aos da UE. A Suíça visa emitir menos 50% dos gases de efeito estufa até 2030.
Sábado, o México foi o primeiro país emergente a revelar suas metas, um passo bem recebido por Washington e Paris: pico das emissões em 2026, redução de 22% em 2030, passível de ser revisado para cima dependendo do apoio internacional.
Ao todo, 32 dos 195 países membros da Convenção das Nações Unidas sobre o Clima formalizaram seu compromisso. "Se houver progressos nas propostas do governo para o período pós-2020 (...), ainda estamos longe de objetivos compatíveis com a meta dos 2ºC", alertou Bill Hare, em comunicado do centro de pesquisa Climate Analytics.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), as emissões de gases de efeito estufa - que não param de crescer - devem ser reduzidas de 40 a 70% até 2050, na esperança de manter o rumo dos 2°C. Para além deste limiar, os climatologistas preveem riscos graves e irreversíveis e o aceleramento de perturbações climáticas.
Novo prazo até junho
Os anúncios de grandes emissores - China, Índia, Austrália, Japão, Rússia e Brasil - são agora esperados até junho, quando uma nova rodada de negociações oficiais ocorrerão em Bonn, na Alemanha, de 1 a 11 de junho. "Faremos nosso melhor para apresentar nossa contribuição no primeiro semestre", prometeu nesta segunda-feira um porta-voz chinês.
A Austrália, maior poluidor per capita e grande produtor de carvão, informou ter lançado uma consulta nacional sobre sua contribuição e também promete um anúncio para meados de 2015.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Incêndio segue em tanques e contamina o mar em Santos

O incêndio que começou na quinta-feira no pátio da Ultracargo, em Santos (SP), provocou a contaminação da água do canal do estuário e pode ser a causa da morte de milhares peixes. É o que indica relatório preliminar da empresa enviado à Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e divulgado na noite deste domingo. O documento também aponta alteração na qualidade do ar. Nesta segunda-feira, um equipamento do Exército deve monitorar o ar na região. Dos seis tonéis que armazenam combustíveis atingidos pelo fogo, dois ainda permanecem em chamas.
Segundo o gerente da Agência Ambiental da Cetesb em Santos, Cesar Eduardo Padovan Valente, "a água usada para conter as chamas foi despejada no estuário pelo sistema de escoamento da Ultracargo contaminada com combustível, provocando alteração da temperatura e saturação do oxigênio, provavelmente causando a morte dos peixes". Entre os animais mortos estão bagres, garoupas e espécies com até 70 centímetros de comprimento. Uma empresa está recolhendo os peixes mortos.
Poluição do ar - "Na página da Cetesb na internet, a qualidade do ar na região do incêndio está classificada como N3-Ruim", diz o meteorologista Ivan Gregório Hetem. Segundo ele, a fumaça é mais preocupante do que uma possível chuva ácida. "A fumaça que está sendo inalada na área do incêndio tem concentrações de SO2 (dióxido de enxofre) muito acima das recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. O limite é 40 e o verificado lá é maior do que cem. A melhor providência é se afastar do local."
A secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias, esteve no local no sábado e falou sobre possíveis penalidades à Ultracargo. "Existe uma legislação estadual. E também é possível aplicar o Decreto Federal nº 6.514. A multa para a empresa chegaria a 50 milhões de reais, mas aplicação depende de análise mais detalhada."
Em Santos, por enquanto, está descartada a possibilidade de retirada dos moradores das imediações do terminal da Ultracargo. "Os produtos químicos que poderiam causar dano à população já foram retirados dos tanques próximos do incêndio", diz o coordenador da Defesa Civil estadual e chefe da Casa Militar do Estado, José Roberto Rodrigues Oliveira.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Estudos constatam melhora sútil na qualidade dos rios de SP e piora no Rio

Vista aérea da junção do Rio Tietê com o Rio Pinheiros, na altura do Cebolão, Zona Oeste da capital paulista (Foto: Ayrton Vignola/Estadão Conteúdo)
A água da maior parte dos rios brasileiros está em situação regular, ruim ou péssima, de acordo com dados divulgados pela organização ambiental SOS Mata Atlântica, que fez levantamento sobre a situação dos cursos d’água de seis estados do país.
Para o estudo, foram coletadas amostras de 301 pontos de 111 rios, córregos e lagos entre março de 2014 e fevereiro de 2015. Do total analisado, 61,8% estão em situação regular, 21,6% foram classificados como ruins e 1,7% apresentaram situação péssima.
Apenas 15% estão em situação boa, justamente por não estarem em áreas urbanas e sim em regiões protegidas, que contam com matas ciliares preservadas. Nenhuma amostra atingiu o patamar ótimo.
A avaliação, divulgada a menos de uma semana do Dia da Água, data celebrada em 22 de março, aponta ainda que houve uma sutil melhora na qualidade dos rios na cidade de São Paulo e uma piora nos do Rio de Janeiro
Cidade de São Paulo
Na capital paulista foram analisados 36 rios e córregos. Segundo a organização, nenhum está em situação ótima.Apenas o córrego da Água Preta, que fica no bairro Pompeia, na Zona Oeste da capital, recebeu classificação boa (em 2014, ele estava em situação regular). A melhora ocorreu graças a um trabalho de conservação feito por moradores da região.
Outros 19 cursos d’água tiveram qualidade regular, 15 ruins e um em estado péssimo, que é o caso do Riacho Água Podre, no bairro Butantã.
Segundo Malu Ribeiro, coordenadora do Programa Rede das Águas da SOS Mata Atlântica, houve uma sensível melhora na capital em relação a 2014, já que oito rios deixaram a classificação ruim e passaram para a regular. Outros três saíram da categoria péssimo.
Ela afirma que a evolução se deu por causa do período de seca. A falta da chuva reduziu o nível dos rios e, com isso, a água absorveu menos fuligem de automóveis e recebeu menos quantidades de resíduos sólidos, lançadas pela própria população.
“É o inverso do que sempre falávamos, de que quanto menor o nível do rio, maior a concentração de poluentes”, explica Malu.
A porta-voz da ONG disse ainda que houve uma evolução nos índices de coleta e tratamento de esgoto na cidade, o que contribuiu para a melhoria na qualidade.
Esgoto sem fim
Mancha e poluição preocupam moradores em Barra Bonita (Foto: Luiz Antônio Ferrari/TEM Você).
Mas segundo Malu, não há o que comemorar. Trechos dos rios Tietê e Pinheiros não mudaram sua condição “péssima” e a chuva do início deste ano fez com que o lixo presente na capital se espalhasse pelo resto do estado.

Foi isso que prejudicou, por exemplo, a qualidade da água na região de Barra Bonita, a 288 quilômetros de São Paulo, na região central do estado.
O trecho onde o Tietê é represado acabou recebendo grande parte do lodo contaminado e lixo arrastado pelas chuvas do início do ano. A qualidade na região que já era regular em 2014, caiu para ruim em 2015.

“Em plena crise hídrica, em que o problema não é apenas a falta de água nos reservatórios, mas uma grande quantidade poluída e inútil para o uso humano, é preciso que os municípios assumam a responsabilidade da coleta adequada de resíduos sólidos e que a população deixe a falsa ideia de que a culpa do esgoto no rio é só do governo. Não está tudo bem”.

No Rio, rios vão de “mal a pior”
Na cidade do Rio de Janeiro , a situação só piorou entre 2014 e 2015. Dos 15 rios e canais analisados nos dois anos, 10 foram considerados ruins e cinco regulares.
No ano anterior, nove estavam regulares e seis tinham sido categorizados como ruins. Nenhum foi remanejado para os níveis bom ou ótimo.
Foram classificados como ruins os rios Pires, Carioca, Comprido, Trapicheiros, Maracanã, Joana e Meier, além dos canais de São Conrado, Jardim de Alah e do Mangue. Estão com qualidade regular os canais do Jockey e Visconde de Albuquerque, além dos rios Cabeças, Macacos e um segundo trecho do Carioca.
De acordo com a SOS Mata Atlântica, os cursos d’água, que surgem nas florestas e encostas da cidade, quando chegam à área urbana recebem lixo e esgoto sem tratamento. Um dos exemplos é o Rio Carioca, que tem nascente na Floresta da Tijuca.
De acordo com o secretário de Estado do Ambiente, André Corrêa, "infelizmente, o Rio Carioca, no estado de hoje, tem uma vazão maior de esgoto do que de água natural. É um corpo hídrico que a urbanização do Rio de Janeiro sufocou."
“A disponibilidade de água para o Rio de Janeiro é muito menor. E isso faz com que seja preciso avançar em coleta e tratamento de esgoto, principalmente para a diminuição do lixo nos rios”, explica Malu Ribeiro.
Melhora no estado de São Paulo
No panorama do estado de São Paulo, onde o estudo verificou a qualidade da água em 14 cidades, totalizando 53 pontos de amostras, 50,9% das análises foram classificadas como regulares, 39,6% como ruins e 3,8% como péssimas.
A avaliação deste ano também teve melhoras em relação ao quadro de 2014. O percentual de rios com qualidade ruim caiu de 58,5% para 39,6%, enquanto o índice de rios com nível regular aumentou de 30,2% para 50,9%. O percentual de rios classificados como bons subiu de 3,8% para 5,7%.
Demais estados
Outros quatros estados tiveram rios e córregos analisados neste levantamento. Em Minas Gerais, o rio Jequitinhonha, na altura do município de Almenara, apresentou situação regular.
Já o rio Mutum, na cidade de Mutum, e o córrego São José, em Bicas, estão em situação ruim. No Rio Grande do Sul, foram analisados a Lagoa do Peixe (qualidade boa), Rio Tramandaí (regular) e Lago Guaíba, na altura da Barra do Ribeiro (ruim).
Em Brasília, a análise de dois pontos do Córrego do Urubu apresentou qualidade regular. Já em Santa Catarina, o Rio Mãe Luiza, na cidade de Forquilhinha, está em situação regular.
Pescador observa passagem de boto no Rio Tramandaí, Litoral Norte do RS. Água foi considerada regular, segundo a ONG SOS Mata Atlântica (Foto: Cristiano Mazoni/RBS TV)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Africanos criam fogão portátil e sustentável movido a biomassa

Para muitos de nós, que estamos agora na frente de um computador ou usando algumas das mais avançadas tecnologias móveis, pode ser muito difícil imaginar que neste mesmo momento, 3 bilhões de pessoas ao redor do planeta ainda precisam cozinhar seus alimentos em fogareiros rústicos, quase iguais aqueles utilizados na Idade Medieval.
A fumaça gerada por estes fogareiros é extremamente tóxica, conhecida como carbono negro. A Organização Mundial de Saúde estima que ela seja responsável pela morte de 4 milhões de pessoas anualmente. Ao inalar continuamente esta fumaça, elas acabam sofrendo com problemas respiratórios, pneumonia, doenças pulmonares e catarata.
Mas o projeto African Clean Energy* quer mudar esta triste história. Numa fábrica em Lesoto, país extremamente pobre no sul da África, Stephen e Alice Walker – marido e mulher, criaram um negócio para impactar a vida de milhares de pessoas.
A empresa familiar desenvolveu o ACE 1, um fogão portátil movido a biomassa (combustível limpo) e o mais importante de tudo, que não produz fumaça. Mas que biomassa seria essa? Podem ser restos de madeira, esterco de animais, palha de milho ou mesmo aglomerados de madeira e briquetes, feitos a partir de sobras de materiais, como serragem, resíduos florestais ou agrícolas.
Movido a biomassa, o fogão tem ainda conector DC e porta USB
Além de necessitar de aproximadamente 70% menos combustível para funcionar do que fogões portáteis tradicionais, o ACE 1 foi projetado internamente com telhas cerâmicas, o que retem o calor por muito mais tempo.
A ideia do African Clean Energia é que este seja um negócio social e sustentável. Na cidade de Maseru, no Lesoto, os Walker trabalham ao lado de 60 funcionários, moradores da região. Eles têm orgulho de fabricar um produto africano. Com isso, movimentam a economia local e querem estimular a produção de biomassa – criando uma nova fonte de renda para a população.
O ACE 1 é produzido na fábrica de Maseru, em Lesoto
Nas casas onde ainda se usam fogareiros,  25% do orçamento familiar é gasto com a compra de combustível. “Com a economia gerada pelo uso do ACE 1, as crianças podem ir para a escola e as mulheres conseguem trabalhar”, diz Ruben Walker, diretor comercial do African Clean Energy.
Na base do pequeno fogão há também um conector DC e porta USB, que com energia solar, transformam o equipamento em uma fonte adicional de energia – uma comodidade incrível para muitas famílias que não possuem acesso à eletricidade.
Vantagens e economias geradas pelo fogão portátil africano
Desde 2011, quando o projeto foi iniciado, dezenas de fogões foram doados, principalmente para as chamadas “famílias orfãs”. Por causa do grande número de vítimas da Aids em Lesoto, em muitos lares, jovens que ainda nem completaram 18 anos, são responsáveis por cuidar de seus irmãos mais novos.
Mortes provocadas pela inalação do carbono negro acontecem em diversas outras regiões carentes do mundo – em países da Ásia, na Índia e inclusive, no Brasil. Ao oferecer uma tecnologia mais barata e sustentável, como o fogão portátil ACE 1, é possível reduzir a pobreza nestes lugares e promover o desenvolvimento destas comunidades.
Os criadores do incrível ACE 1 querem comercializá-lo no mundo todo, afinal ele também é uma solução inovadora para acampamentos, piqueniques ou festas ao ar livre. É outra maneira de financiar o projeto e reinvestir recursos em Lesoto.