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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Competitividade com Sustentabilidade- Será possível?

Competitividade com Sustentabilidade – Será possível? Gerente de novos negócios e sustentabilidade para a Dow América Latina. Coordenador do Comitê de Meio Ambiente e Sustentabilidade da ABRE e Professor de Embalagem e Sustentabilidade do Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM



É com frequência que escuto comentários do tipo “tenho uma solução sustentável, mas o consumidor não está disposto a pagar”. Fica a impressão de que sustentabilidade e competitivadade são conceitos paradoxais. Um produto sustentável só pode ser mais caro. Um produto barato não pode ser sustentável. E por aí vai.

Tal percepção foi construída, em parte, por inúmeros projetos e iniciativas “sustentáveis” que fracassaram por serem economicamente inviáveis. Ou por produtos e embalagens “verdes” que chegaram ao ponto de venda só para descobrir que apenas um pequeno nicho estaria disposto a pagar mais por um futuro melhor.


Pois bem, chegou a hora de desafiar esse conceito. Muitos dos fracassos fundamentavam-se no “antigo” entendimento de embalagem & sustentabilidade, aquele que posicionava embalagem como um impacto ambiental grande, desnecessário e que precisava ser urgentemente reduzido ou eliminado. Isso sem falar de mudanças fundamentadas apenas em “mitos” que traçavam uma linha sólida, emocional e até hoje muitas vezes inquestionável entre o desejável e o inaceitável.


Hoje sabemos que não é bem assim. O “novo” entendimento exclarece que a embalagem é uma ferramenta para o
desenvolvimento sustentável. Sim, a produção e o descarte das embalagems traz impactos para o meio ambiente. Mas a novidade é que a embalagem “mais sustentável” deve evitar outros impactos mais relevantes que o dela própria. Impactos esses distribuídos (e escondidos) ao longo da cadeia de valor.

Utilizar a embalagem como ferramenta para o desenvolvimento sustentável significa explorar seu potencial de mitigar processos e impactos, como por exemplo a eliminação da cadeia de frio ou a redução do desperdício de alimentos.


E a boa notícia é que ao eliminar processos ou reduzir desperdícios terminamos por economizar dinheiro. Manter a cadeia de frio custa dinheiro. Jogar alimento no lixo custa dinheiro. A proposta é justamente viabilizar produtos mais econômicos com base no “valor sustentável” entregue pela embalagem.

Para iniciar essa jornada é preciso entender claramente como estão distribuídos os impactos ao longo da cadeia produtiva e de consumo, uma missão normalmente confiada a um método chamado Análise do Ciclo de Vida. Uma vez identificados os vilões – cientificamente conhecidos como hotspots – deve-se perguntar “como é que a embalagem pode ajudar?”.
Muitas vezes a resposta será simples, como por exemplo adequar o tamanho da porção ou recomendar o modo de preparo mais adequado. Em outros casos pode ser necessário mudar toda uma cadeia. Seja qual for a situação, é muito provável que novas e melhores embalagens possam prestar um serviço relevante para o desenvolvimento sustentável.


Vamos utilizar sustentabilidade como inspiração para a competitividade.

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