POLPA MOLDADA

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segunda-feira, 26 de maio de 2014


BOLIVIANA CONSTRÓI  CASAS DE GARRAFAS PET PARA AS FAMÍLIAS CARENTES EM 20 DIAS.


Projeto começou há 14 anos e já ajudou mais de 300 famílias de países latino-americanos

Ingrid Vaca Diez, boliviana nascida e criada em Santa Cruz de La Sierra, colocou em prática um projeto com o qual sonhava desde que era uma niña (criança, em espanhol). Fundadora e idealizadora do projeto Casas con Botellas, que constrói moradias para famílias em situação de extrema pobreza utilizando garrafas pet, ela conta com um misto de orgulho e animação que já ajudou a construir mais de 300 casas na Bolívia e em países vizinhos. Em passagem pelo Brasil, Ingrid conversou com PLANO sobre a trajetória do projeto e não escondeu sua vontade de implantar a ideia no maior país da América Latina.
Tudo começou em 2000, quando Ingrid Diez já ajudava a comunidade do bairro Alfredo Vaca Diez, nome dado em homenagem ao seu pai, ex-prefeito da região.  Envolvida com causas humanitárias e desigualdade social que cerca os países latino-americanos, Ingrid decidiu realizar o sonho das crianças do bairro, perguntando o que elas gostariam de ganhar de presente. Brinquedos foram a maioria entre as respostas, mas um pedido chamou sua atenção.  “Todos escreviam cartas falando que queriam uma bicicleta, um vestido, sapato e bolas. Só uma menina falou que queria um quarto para poder dormir, porque eles eram em oito em sua casa e dormiam muito apertados. Foi a única criança que eu demorei para entregar o presente”, conta.
“Vai ser de lixo?”
Ingrid usava garrafas de plástico para fazer artesanato e o acúmulo do material na sua casa resultou em uma briga entre ela e o marido, que se irritou com a quantidade espalhada pelo jardim. No meio da discussão, ele disse, em tom de ironia, que com aquele tanto de garrafas seria possível construir uma casa. Ela conta que concordou, mas jamais pensou que isso um dia aconteceria.  Com a ideia na cabeça, ela começou a fazer experimentos para descobrir um material que pudesse ser usado como cimento. Depois de fazer cerca de dez testes misturando materiais como barro, açúcar, mingau e linhaça, ela ficou satisfeita com os resultados e resolveu colocar o plano em prática.
Ingrid foi até a casa de Claudia, a garota que pediu um quarto, e foi contar a novidade para a mãe da menina: “Maria, já sei como te fazer uma casa”. Quando descobriu de qual material o novo lar seria feito, Maria continuou contente, mas perguntou surpresa: “vai ser de lixo?”.  A primeira etapa para a construção era juntar as garrafas. Animada com a ideia, Ingrid conta que começou a recolher muitas garrafas, saía de carro de madrugada para recolher nos lixos dos bairros mais próximos.
A primeira construção feita de garrafas na comunidade foi um berçário. Depois, Ingrid começou as obras da casa da família de Claudia, que demorou cerca de quatro anos para ficar pronta. Apesar do tamanho da casa (190m²), o que atrasou a construção foi a falta de material e de trabalho voluntário. Com todo o material e um grupo de 8 ou 10 pessoas, ela garante que é possível construir uma casa em 20 dias.

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