POLPA MOLDADA

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terça-feira, 22 de abril de 2014


Sustentabilidade? Show me the money!



Thinking Green


Quem pensa na carteira antes de pensar no planeta pode se tornar um grande advogado da sustentabilidade. Sério. É claro que isso não se aplica a um psicopata corporativo, uma daquelas figuras que buscam o resultado do trimestre a qualquer custo, mesmo que seja vendendo produtos cancerígenos às crianças. O raciocínio se aplica, simplesmente, à grande maioria dos executivos com formação financeira ou de gestão, que estão, sim, preocupados com o bônus do ano que vem, mas também não querem ser engolidos por catástrofes como a explosão, no ano passado, de uma fábrica em Bangladesh que era fornecedora de JC Penney e Walmart. "Sustentabilidade", entre outras coisas, significa trabalhar com menos risco, reduzir desperdícios e reciclar insumos ao máximo, coisas que qualquer gestor eficiente fazia muito antes que esse conceito tivesse sido inventado.
Certa vez um CEO, apresentando o diretor de sustentabilidade de sua empresa a um colega, disse ironicamente que ele havia sido contratado "dentro da cota de inclusão de hippies". Hoje, pelo olhar que o mercado financeiro dedica às empresas, essa cota deve aumentar muito. Cada vez mais a demanda por informações de ambientais e sociais faz parte do dia a dia de analistas, administradores de fundos e investidores profissionais. A Bloomberg, maior rede mundial de informações econômicas, armazena dados de sustentabilidade das 10 mil maiores empresas do planeta. Onde os hippies corporativos falavam com palavras do jargão verde, como "pegada de carbono", "questões de gênero" e "trabalho digno", os financeiros e jurídicos traduzem esses termos para sua língua, como "gestão de riscos", "processos por assédio" ou "crise de reputação".
Ou seja, quando alguém perguntar a você porque se preocupa com sustentabilidade, pode responder: porque eu gosto de dinheiro. Não será mentira.

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