Glaciers 1024x694 IPCC: Mudanças climáticas já são uma realidade e não estamos preparados para enfrentar suas piores consequências
Segunda parte do 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas aborda os impactos globais já evidentes e previstos do aumento da temperatura global. 
Para IPCC, ações efetivas de mitigação são cada vez mais urgentes, pois o mundo não está preparado para lidar com as piores consequências das mudanças do clima.
Depois de uma semana de trabalho intenso, dentro e fora das salas de conferência em Yokohama, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) divulgou hoje a segunda parte de seu 5º relatório de avaliação (AR5), que aborda especificamente a questão dos impactos evidentes e previstos do aumento da temperatura média global hoje e nas próximas décadas.
A mensagem central do texto já tinha sido antecipada por vazamentos de informações nas últimas semanas, mas continua bastante contundente: as mudanças do clima podem causar impactos graves, abrangentes e irreversíveis, afetando a saúde humana, moradia, alimentação e segurança da humanidade neste século XXI. Muitos desses impactos já estão sendo sentidos na pele, mas ainda não estamos preparados para enfrentar os piores impactos possíveis desse fenômeno.
O relatório destaca que o aumento da temperatura média global levará ao aumento na frequência de eventos climáticos extremos em todo o planeta, o que pode afetar especialmente comunidades pobres e a biodiversidade em geral. O degelo do Ártico, fenomeno já evidente na última década, pode acelerar e causar o aumento do nível dos oceanos numa velocidade para a qual nenhuma comunidade humana está preparada para enfrentar.
As mudanças do clima também afetarão a agricultura, diminuindo a sua produtividade num contexto de aumento previsto da demanda de alimento até a metade desse século.
Este volume do AR5 é a avaliação mais completa já realizada sobre os impactos das mudanças do clima. O texto contou com 309 autores, 436 colaboradores e 66 revisores técnicos de 70 países.
A expectativa agora é saber como essas novas e temerosas informações influenciarão o processo político de negociação do novo acordo climático dentro das Nações Unidas, que enfrenta muitos problemas e ameaças de retrocesso no combate ao aquecimento global.